Caminhei
Desde a mais antiga Era
Habitei esta esfera
E assim como uma fera
Por uma presa ansiei
Sozinho
Destruído e exilado
Conheci um passado
Que nunca lhes foi falado
Onde havia dor e espinho
Escuridão
Onde encontrei abrigo
E me tornei amigo
Dos que compartilhavam comigo
Sua maldição
Perdurou
A minha sina, eterna...
Mas enfim quis sair da caverna
E mesmo os grilhões à perna
Não detiveram este que escapou
Enfim
Andei por entre as criaturas
Com as minhas vestes escuras
E deles conheci as amarguras
Assim como conheceram a mim
Amado
E por muitos também ferido
Malditos os que tenham conhecido
A mais pura essência do desconhecido
Pois que agora lhes seja revelado
Lamento
Se hoje venho lhes falar
Mas em mim não existe o amar
Pois à Criação me faz odiar
Este meu coração cinzento
Sou
A Sombra que espreita
O que nas Trevas se deleita
Minha revanche está quase feita
Sou Anjo que nunca chorou...

