Meu corpo jaz inerte, imóvel. Frio como o inverno
E as folhas escarlate que caem das árvores
São como o sangue que jorra de minhas veias até o chão
Aquele vento gélido não me causa mais arrepios
Não sinto nada
E já não o sentia há muito.
Na solidão, até os fantasmas me deixaram
E os demônios não mais me comem a carne...
Alimento-me das trevas, nutrindo-me com agonias
Não há Bem que me alcance ou Mal que me incomode.
Só há o frio e o uivo dos ventos que rompe o silêncio
A luz dos céus não chega ao fundo do Abismo
E enterro-me bem fundo nele
Onde meus gritos não serão ouvidos
Nem voz alguma me alcançará.
Minhas asas quebradas me impedem de voar
Meus braços feridos não me permitem escalar até o alto
Meus joelhos cansados me mantêm prostrado
Não posso mover-me. E aqui ficarei para sempre
Até o epílogo da minha existência...

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