quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MORTÍFERO SILÊNCIO





Venha, me consuma
E assuma 
O dano que causares


Mate-me aos poucos
Lamentos roucos
De quem não mais pode falar


Maldita peçonha
Que escapa de minha coronha
De encontro à minha fronte


É a água-dos-perdidos
Que bebem os caídos
E os que não souberam amar


Desejo partir
E logo sair
Enterrando toda a esperança


Não quero ficar
Não me deixe parar 
De consumar o meu fim


Veja todo este sangue
E não se zangue
Pois a você não e dado limpar


Um último gole
Que a garganta se esfole
Para que não me ouças gritar


Um vislumbre da janela
Logo penso nela
Que tão longe se encontra


Os meus olhos eu fecho
Não há outro desfecho
Senão o mortífero silêncio...



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