sexta-feira, 13 de maio de 2011
AMOR...
Que mal fiz eu aos céus
Para ser amaldiçoado com a praga do amor
Que me dilacera a alma
E me joga em dissabor?
És tão divino, ó amor
Por que então me fazes definhar
Enquanto todos estão em júbilo
E vivem a festejar?
É bem verdade que és dádiva para uns
Mas para outros, maldição...
És injusto, cruel, maléfico
E sei que não me escolheste
Meu coração está estragado
Quebrado em mil pedaços
Eu apenas soube amar
Mas nunca fui amado
Então consuma de uma vez o teu desejo: mate-me
Acabe com esta agonia que não aguento mais
Já não me feriste o bastante?
Maldito sejas, ó amor. Eu o renego
És meu inimigo e me derrotaste por eterno
Mas esteja certo: nos veremos no inferno!
terça-feira, 10 de maio de 2011
LONELINESS
Meu corpo jaz inerte, imóvel. Frio como o inverno
E as folhas escarlate que caem das árvores
São como o sangue que jorra de minhas veias até o chão
Aquele vento gélido não me causa mais arrepios
Não sinto nada
E já não o sentia há muito.
Na solidão, até os fantasmas me deixaram
E os demônios não mais me comem a carne...
Alimento-me das trevas, nutrindo-me com agonias
Não há Bem que me alcance ou Mal que me incomode.
Só há o frio e o uivo dos ventos que rompe o silêncio
A luz dos céus não chega ao fundo do Abismo
E enterro-me bem fundo nele
Onde meus gritos não serão ouvidos
Nem voz alguma me alcançará.
Minhas asas quebradas me impedem de voar
Meus braços feridos não me permitem escalar até o alto
Meus joelhos cansados me mantêm prostrado
Não posso mover-me. E aqui ficarei para sempre
Até o epílogo da minha existência...
QUERIDO FANTASMA
Você mora em meus pensamentos... Assombra-me os sonhos.
E eu tenho medo da noite, do seu frio e de sua escuridão. Ela revela tua imagem...
Me encolho abaixo da janela, tapando os ouvidos para que não ouça tua gélida voz.
E trovões, e tempestades, e raios eternamente desabam sobre meu mundo escuro...
Olhos ameaçadores na escuridão, dois pontos luminozos nas trevas: Estás a me olhar!
Minha vida esvai-se junto com as lágrimas. E minha alma aos poucos desprende-se do meu corpo.
A cada momento me torno mais morto!
E ainda vejo tua figura em todas as direções que olho.
Desde quando tudo se tornou tão vazio? Desde quando as estrelas perderam seu brilho?
Desde quando o perfume das rosas se tornou um veneno? E todas as coisas perderam suas cores?
O destino juntou nós dois, e também o tirou de mim...
És agora um fantasma. Mera lembrança. Memória que me atormenta...
Me fazias sorrir, agora fazes-me sofrer.
Eu o amei...
Deixarei este corpo que não mais me serve. Juntarei me às Trevas, onde não haverão lembranças nem sonhos.
Onde não existirá um Você e Eu...
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
ANJO CAÍDO
Caminhei
Desde a mais antiga Era
Habitei esta esfera
E assim como uma fera
Por uma presa ansiei
Sozinho
Destruído e exilado
Conheci um passado
Que nunca lhes foi falado
Onde havia dor e espinho
Escuridão
Onde encontrei abrigo
E me tornei amigo
Dos que compartilhavam comigo
Sua maldição
Perdurou
A minha sina, eterna...
Mas enfim quis sair da caverna
E mesmo os grilhões à perna
Não detiveram este que escapou
Enfim
Andei por entre as criaturas
Com as minhas vestes escuras
E deles conheci as amarguras
Assim como conheceram a mim
Amado
E por muitos também ferido
Malditos os que tenham conhecido
A mais pura essência do desconhecido
Pois que agora lhes seja revelado
Lamento
Se hoje venho lhes falar
Mas em mim não existe o amar
Pois à Criação me faz odiar
Este meu coração cinzento
Sou
A Sombra que espreita
O que nas Trevas se deleita
Minha revanche está quase feita
Sou Anjo que nunca chorou...
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
ÁGUAS FÚNEBRES
O vento abraça meu corpo
Meus olhos jazem fechados
Trancados
Um feixe de luz recai sobre mim
E as aves cantam em meu funeral
Fatal
O mar investe contra as rochas
Lá embaixo, ele me deseja
Sim, almeja
Este chão não terá o meu corpo
Nem os vermes terrestres
Serão os mestres
Estou caindo... Me aproximo
De encontro às pedras, duras
Esculturas
Sejam meu túmulo e digam
A quem as vier procurar:
"Sobre o mar
Tombou um miserável..."
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
MORTÍFERO SILÊNCIO
Venha, me consuma
E assuma
O dano que causares
Mate-me aos poucos
Lamentos roucos
De quem não mais pode falar
Maldita peçonha
Que escapa de minha coronha
De encontro à minha fronte
É a água-dos-perdidos
Que bebem os caídos
E os que não souberam amar
Desejo partir
E logo sair
Enterrando toda a esperança
Não quero ficar
Não me deixe parar
De consumar o meu fim
Veja todo este sangue
E não se zangue
Pois a você não e dado limpar
Um último gole
Que a garganta se esfole
Para que não me ouças gritar
Um vislumbre da janela
Logo penso nela
Que tão longe se encontra
Os meus olhos eu fecho
Não há outro desfecho
Senão o mortífero silêncio...
VAZIO
Jaz aqui um miserável ser
Que contempla o cinza do céu
Frio, escuro como o morrer
Minha alma assim saboreia seu fel
Olhos fitam a imensidão do nada
E o coração lamenta por sua virtude esgotada
Do amor dado a poucos nesta breve jornada
Mas nunca reposto, jaz uma fonte abandonada
A Sombra é o que resta
Como companheira a todo instante
Neste Inferno, onde nada presta
Tomei a solidão por amante
Maldito Gárgula, esquecido e sozinho
Privado de ternura e carinho
Sob escarros trilha o seu caminho
Faz das trevas seu próprio ninho
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